RAQUEL MELO MORAIS
arquitectura

VALE DO LINHO | Casa Rural | Obras de Reconstrução e Ampliação
LOCALIZAÇÃO
Vale do Linho, Aljezur
DATAS
Projecto | 2017
Obra |
CLIENTE
Privado
ÁREA DE CONSTRUÇÃO
350 m2
ARQUITECTURA
Raquel Melo Morais
PROJECTO ESTABILIDADE
Nuno Grave, Engenharia
ESPECIALIDADES
Nuno Grave, Engenharia
PAISAGISMO
Maria Teles e Susana Dias Pereira, Arq. Paisagista
Este projecto para uma casa de campo baseia-se numa preexistência em Taipa, antiga casa rural, inserida numa propriedade a norte da vila de Aljezur com 97000 m2 e que se insere em área de Reserva Ecológica Nacional. A casa existente tem 240 m2, um pequeno edifício de fumeiro e um tanque com 24,08 m2 que serão reaproveitados e ainda instalações outrora para animais que serão readaptadas para arrumos. O vale e as elevações, as árvores de fruto e vegetação autóctone como o medronheiro e a esteva, assim como alguns sobreiros e eucaliptos desenham a paisagem. A casa encontra-se implantada numa cota intermédia entre a zona de elevação a norte e a zona de linha de água a sul, as paredes são em taipa e pedra, a cobertura é de duas águas, com telha de canudo, no interior encontramos uma estrutura simples de barrotes em madeira pontualmente apresentando um forro em caniçado. As paredes exteriores e interiores são rebocadas e caiadas de branco, embora por vezes a taipa se apresente à vista. A caixilharia das janelas e as portas são em madeira e o revestimento do pavimento é em mosaico e terra batida.
Não sendo possível ampliar de forma solta da habitação existente, optou-se por prolongar a nascente e poente, perfazendo uma área total de 314 m2. A arquitectura proposta baseia-se na casa existente, tendo em conta a sua cércea, vãos e materiais. São adicionados aspectos que não interferem neste conceito de arquitectura vernacular, relacionados com dotar conforto térmico, acústico e espacial à habitação. A casa tem 5 quartos, sendo dois em suite, uma grande sala com salamandra a lenha, uma cozinha e zona de refeições num único espaço, uma pequena sala de estar e escritório. Quase todos os espaços dão directamente para o exterior, sendo que a vivência da casa será privilegiada a sul e nascente. Apresenta um desnível no interior entre a sala e a cozinha, acompanhando o declive natural existente. As paredes exteriores são em taipa e as interiores são em blocos de terra comprimida. A cobertura do telhado de duas águas é em telha cerâmica de canudo, que se apoia numa estrutura em madeira maciça de secção redonda com um forro em madeira ou caniçado e o respectivo isolamento térmico em cortiça e o sistema de sub-telha. A caixilharia das janelas e portas é em madeira maciça. No interior e exterior temos as paredes rebocadas e pintadas a tinta à base de cal e o revestimento dos pavimentos nas casas de banho em microcimento, mosaico hidráulico na sala e cozinha e soalho de madeira nos quartos. Poderá haver a utilização pontual pelo exterior de pedra da região nas soleiras e peitoris, bancos e muros. A intervenção nos exteriores prevê a necessidade de remover alguma terra a tardoz por questões de salubridade da edificação e estabilidade da encosta, contribuindo para um adequado escoamento das águas pluviais. A zona próxima e envolvente à casa será tratada, com revestimentos permeáveis, de forma a acolher zonas de estar e caminhos de acesso, uma pérgola e um espelho de água.