Raquel Melo Morais | Arquitecta

Parcerias | Partnerships
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MONTE CLÉRIGO - DESCRITIVO DO PROJETO | PROJECT DESCRIPTION

LOCALIZAÇÃO | Monte Clérigo, Odeceixe
PROJECTO | 2015
OBRA | 2017 -
CLIENTE | Privado
ÁREA DE CONSTRUÇÃO | 300 M2
ARQUITECTURA | Raquel Morais - Coordenação
ESTABILIDADE | Vasco Farias, Engenheiros Consultores Lda
ESPECIALIDADES | Mário Boucinha - Blueorizon/ S.Mota - Motoliveira
PAISAGISMO | Maria Teles e Susana Dias Pereira - Arq. Paisagista
CONSTRUTOR | JP Bernardino, Lda
Este é um projecto de reconstrução de uma casa rural situada em Reserva Agrícola Nacional numa propriedade de 11 hectares, que inclui sobreiros, pinheiros, medronheiros, esteva e outras plantas autóctones e uma paisagem desenhada por montes e vales a perder de vista. Implantada numa zona elevada e plana do terreno, resguardada do caminho de acesso público, consegue ainda usufruir da paisagem de onde se adivinha a serra de Monchique.
Todo o ambiente envolvente é rural, terrenos agrícolas pontuados por pequenas construções de apoio agrícola ou habitações dos agricultores, mas também casas de férias e empreendimentos turísticos. As construções locais remetem-nos à arquitectura popular portuguesa marcada pela longevidade temporal, tipo de materiais construtivos como a taipa e o adobe, escala, simplicidade das fachadas e distribuição funcional das divisões interiores. Destacam-se alguns elementos recorrentes como a cobertura inclinada com telha de canudo, a dimensão reduzida dos vãos, forno e chaminé. Estas construções respondiam a uma necessidade da época, talvez por isso encontramos simplicidade e pureza arquitectónicas. Apesar de serem construídas por mestres de obra, ao longo dos anos eram objecto de intervenção dos próprios moradores para conservar e higienizar as suas casas, como exemplo disso temos a caiação das paredes. Esta arquitectura torna-se reconhecível influenciando o desenho e conceito da proposta para a construção da nova casa.
A casa proposta dispõe de 275 m2 de área bruta de construção e uma piscina biológica com 25 m2, aproveitando-se o declive do terreno para a implantar. Os proprietários desejavam que a casa aproveitasse o máximo de vistas e respondendo a isso, a proposta consiste em manter a casa existente convertendo-a num pátio que é envolvido pela nova casa em U, potenciando o olhar sobre o sobreiro existente que marca uma presença forte naquele espaço.
A poente estão três quartos com closet, casas de banho e garagem, junto à qual no exterior surge um espaço de arrumos e área técnica. A partir do hall de entrada que se faz a norte, temos uma casa de banho social, uma cozinha, lavandaria e despensa, uma zona de refeições e uma sala de estar com uma salamandra a lenha. Caminhando dos quartos para a sala, a casa acompanha pelo interior o declive natural do terreno, através de dois desníveis. No exterior mantém-se a cota do beirado, permitindo que a zona da sala e cozinha fiquem com um pé-direito mais alto. Procurando utilizar materias naturais, optou-se por paredes exteriores em taipa e as interiores em BTC (blocos de terra comprimida), ambas rebocadas e caiadas. Outros materiais usados são a madeira, a pedra da região, as canas, microcimento e o mosaico hidráulico. Por fim temos o exterior, que vai ser alvo de intervenção de forma faseada partindo de um marter plan, sendo que em volta da casa haverão espaços ajardinados recorrendo-se a plantas autóctones, muros, bancos e pérgolas, prolongando a vivênvia dos espaços interiores para o exterior, trabalho desenvolvido pela equipa de arquitectas paisagistas.