Raquel Melo Morais | Arquitecta

Parcerias | Partnerships
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FAJÃ DO BELO - DESCRITIVO DO PROJETO | PROJECT DESCRIPTION

LOCALIZAÇÃO | Fajã Do Belo, Ilha S. Jorge, Açores
PROJECTO | 2016
OBRA | 2017 -
CLIENTE | Actual Pink, Lda
ÁREA DE CONSTRUÇÃO | 405 M2
ARQUITECTURA | Raquel Morais - Coordenação
ESTABILIDADE | Miguel Villar - Betar
ESPECIALIDADES | Mário Boucinha - Blueorizon/ S.Mota - Motoliveira
CONSTRUTOR | Tulipa Real Construções
O terreno com cerca de 918 metros quadrados, situa-se na Fajã do Belo, ilha São Jorge numa zona costeira a norte da ilha, de uma beleza ímpar abrangida pelo Plano de Ordenamento da Orla Costeira - Açores - Ilha de São Jorge que estabelece regimes de salvaguarda para aquele local. Destaca-se o seu difícil acesso, actualmente apenas possível a pé, de moto 4 ou de barco, tornando-se mais difícil e restrita a edificação. Até ao ano de 2017 não tinha o fornecimento de energia eléctrica o que tornava o sítio ainda mais isolado.
O projecto propõe a reconstrução e ampliação de uma ruína existente, que foi em tempos uma habitação rural quando a agricultura e a pesca dominavam o território. Apresenta dois pisos e tipologia em L, alvenaria de pedra com junta seca de basalto da região. Além disso, existiam mais três ruínas em pedra que seriam provavelmente os palheiros de apoio à actividade agrícola e de mar. As ruínas existentes têm uma presença única naquela Fajã potenciada pela pedra de basalto escura de origem vulcânica, por outro lado encontra-se uma simplicidade no desenho das casas, que vai de encontro à beleza e quietude do lugar.
A ruína da casa encontra-se parcialmente conservada e as suas paredes exteriores demonstram com veracidade o que seria a casa noutros tempos, por isso optou-se por manter as suas características físicas e morfológicas da arquitectura vernacular dos Açores: paredes de alvenaria em pedra irregular à vista com junta seca, guarnição dos vãos em pedra 'arestada', caixilharia em madeira maciça pintada na cor tradicional, cobertura de duas águas em telha de meia cana tradicional e a chaminé em alvenaria de tijolo rebocado e pintado.
Os três palheiros são reconstruídos sendo-lhes atribuído novas funções, para além disso, na generalidade da intervenção propõe-se a abertura de novos vãos respeitando a forma tradicional, de forma a conferirem mais luz aos espaços.
Na casa temos no piso térreo a sala de estar e de refeições, a cozinha, dois pequenos espaços para despensa de alimentos e lavandaria e uma casa de banho social. Da cozinha acede-se para um pátio a tardoz que adiciona à casa mais um espaço de utilização exterior e entrada de luz. O acesso ao piso de cima faz-se através das escadas exteriores em pedra localizadas no pátio. No piso 1 temos 3 quartos, sendo um em suite e, uma casa de banho comum aos outros dois. O palheiro 1 servirá de adega, arrumos e garagem com uma casa de banho de apoio, o palheiro 2 como arrumos para material de prática de desportos náuticos, com casa de banho e duche de apoio e o palheiro 3 como área técnica de apoio. Numa tentativa de manter ao máximo as características naturais do lugar, a intervenção nos exteriores será apenas nos acessos às edificações.